Quarta-feira, 17 de Maio de 2006

O Campo Pequeno e as touradas

A propósito da reabertura da praça de touros do Campo Pequeno:
Em Portugal ainda existe a tauromaquia - "A (chamada) arte de tourear". As touradas de morte (em que o touro é morto na arena) foram abolidas pelo Governo de António Guterres com a Lei nº 12-B/2000 de 8 de Julho. Ficaram como excepção sítios onde era "tradição" ou "costume" a morte do touro na arena, como é o caso de Barrancos.

Os adeptos das touradas defendem que se trata de entretenimento, de arte, de uma paixão.
Ainda que deva concordar que não devem ser retiradas às pessoas as actividades que lhes são prazeirosas e apaixonantes, penso também que deve haver um limite.

Não concebo, nem consigo conceber, que se tenha como espectáculo o sofrimento de um animal. Seja ele qual for. A violência, o desrespeito, a humilhação, o horror, a dor do animal e a crueldade perante este não podem ser vistos como algo do século XXI, muito menos podem ser vistos como arte.

Esta luta entre o animal e o Homem é desigual. Os galhos do touro são cortados na maioria das vezes. O Homem é colocado num cavalo (sempre bem mais veloz que o touro), onde lhe é dada a possibilidade de espetar o animal. Ou então são aproveitados os instintos do animal, iludindo-o com cores berrantes para que, mais uma vez, possa ser espetado. E se por acaso um forcado é atingido, logo aparecem mais uma dezena para o socorrer. Depois, são levados para fora da arena onde acabam por ser mortos na mesma. Os touros, claro.

É impossível incutir valores morais, sociais e humanos a uma sociedade quando ainda existem eventos tão atrozes como este.

Mais, discute-se se os animais têm Direitos, os chamados "Direitos dos animais". Os animais não têm personalidade jurídica e, como tal, há quem defenda que não podem ter direitos. Discordo. Os animais, como seres vivos que são, têm Direitos. Direito à vida, à integridade física e a um tratamento minimamente condigno, pelo menos. Todavia, como não têm essa personalidade jurídica, muito menos racionalidade, esses direitos terão que ser tutelados e defendidos pelo Homem.

Concluindo, acredito que a abolição das touradas de morte foi um grande passo rumo a uma maior e mais completa civilização. Já havia sido abolido o Circo Romano. Já havia sido abolida a escravatura. O próximo passo a dar é o de banir completamente as touradas do nosso país como já sucedeu em outros países, muito mais civilizados.

Chamo a atenção para o facto de este "post" contemplar apenas uma opinião pessoal.
publicado por Fábio Raposo às 23:55
link do post
De Flecha Ruiz a 20 de Maio de 2006 às 13:52
Sinceramente preocupa-me muito mais a situação de Pessoas Deficientes do que os touros...
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