Domingo, 24 de Setembro de 2006

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Energia alternativa?
Numa altura em que o ultimo relatório relativo à dependência energética da Europa, aponta Portugal, como o segundo país mais dependente do exterior em matéria de energia (apenas à frente do Chipre que depende totalmente do exterior), numa altura em que as famílias pagam o défice “a prestações” na factura da electricidade, em que a tendência dos valores dessa factura é apenas ascendente, sem que haja liberalizações que lhe valham, acresce ainda a crise petrolífera em que vivemos.
Na verdade, parece que entramos numa crise contínua em que o ouro negro que faz roncar as maquinas e acender as lâmpadas, começa a adivinhar o seu fim; não só pela especulação bolsista se lhe antevê a escassez, mesmo por uma questão racional da sua inevitável e cada vez mais próxima, “extinção”. Pena será dizer que não foram criadas as condições e tomadas as medidas necessárias para a sustentabilidade máquina energética com base em energias renováveis, limpas e amigas do ambiente.
Todavia, o progresso não pode parar, e sem energia, não há progresso. Por outro lado, a própria balança comercial do estado não consegue manter um equilíbrio razoável e sustentável com tão pesada factura, uma factura que pune o não desenvolvimento e a incapacidade de auto-sustentabilidade energética do estado.A verdade é que a questão da energia nuclear, que ultimamente tem sido referenciada, tem muitas facetas que, inclusive, tem criado acesas trocas de opiniões entre analistas económicos e ambientalistas; é pois, um tema que necessita de uma atenta ponderação. O facto de a taxa de mortalidade na estrada ser inúmeras vezes superior à registada em acidentes aéreos, poderia deixar suspeitar que as pessoas teriam mais medo de andar de carro que entrar dentro de um avião. Todavia, é pois o inverso a verdade, e algo de semelhante se passa também com a energia nuclear. Acontece que, com uma probabilidade baixa, se receia aderir a uma fonte altamente destrutiva. Acresce ainda o problema o problema do tratamento dos resíduos, cujos custos (ambientais e económicos) são muito difíceis de se avaliar, por isso, nestes termos, não é fácil comparar a energia nuclear com alternativas menos incertas. Muito relevante porém, será lembrar, a proveniência de grande parte da energia importada à nossa vizinha Espanha e os seus inconvenientes. De facto, mesmo que não construamos nenhuma central, o risco já está aqui, mesmo junto à nossa fronteira. O que eventualmente acontecer por lá, atingirá da mesma forma Portugal.
Em suma, a ideia de um Portugal livre do nuclear, pode ter valor enquanto afirmação politica, como questão de principio, mas actualmente, com a capacidade nuclear já instalada na península ibérica, não é propriamente consolador pensar que temos o risco aqui ao lado, até porque, já estamos a sofrer os custos em termos de risco ambiental, e quanto a benefícios?!...nenhuns. Continuamos a importar energia eléctrica espanhola, de proveniência nuclear e continuamos a deixar os nossos engenheiros e investigadores no desemprego, a fazer outra coisa qualquer ou a imigrar, na já famosa “fuga dos cérebros”.Nas palavras do prof. Luís Cabral, “é como juntar o inútil ao desagradável”.
publicado por NES-FDL às 18:41
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2 comentários:
De Luis Almeida a 4 de Outubro de 2006 às 00:50
Concordo plenamente com o autor do post,a inevitabilidade da energia nuclear é clara e inequívoca e apenas peca por tardia!



Um abraço aos camaradas do NES!
De PedroSilveira a 2 de Outubro de 2006 às 14:12
A minha posição em relação a esta questão é muito próxima daquelas que tenho em questões como o aeroporto da Ota ou da co-incineração: são questões técnicas, fora do espectro político strictu sensu. Então se assim é porquê querer dar respostas imediatas? Porquê julgarmo-nos mais qualificados a apontar soluções que dezenas de estudos efectuados e que comissões e comissões de cientistas especializados?

Desse ponto de vista penso que muito ainda tem de ser feito. Ao contrário dos outros exemplos que dei, a Energia nuclear não está suficientemente estudada em Portugal, são necessários estudos e pessoas a trabalhar na área (como o Ricardo também referiu ao falar dos "Engenheiros").

Do ponto de vista político acho que falta ainda muito debate. Houve efectivamente uma altura em que pensei que se iria proceder - com alguns cientistas e especialistas a irem à TV e debates, mas desvaneceu-se rapidamente essa esperança. Assim, penso que a postura do Pm JOsé Sócrates é a ideal: aberto ao debate, não afastando liminarmente a ideia mas não prometendo a sua concretização. Onde é insuficiente, na minha opinião, é na não promoção de estudos e debates sobre a matéria, principalmente no primeiro aspecto que só o Governo tem possibilidades de mandar elaborar.

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