Segunda-feira, 2 de Julho de 2007

Vagos Pensamentos


Censura do século XXI?


Nos últimos tempos temos assistido a diversos episódios de censura política, comparável ao período do Estado Novo, por parte do governo socialista. Não concordo - e penso que ninguém concorda - com tal postura. Com a queda do regime salazarista instituiu-se em Portugal a liberdade de expressão, que é uma das traves-mestras da democracia. Ora, o governo ao tentar amordaçar funcionários públicos e jornalistas regride algumas décadas na evolução social.
E tem sido criticado por assumir tal posição. Todos nós, leigos não em relação a temas políticos, podemos expressar a nossa opinião, dentro dos limites permitidos pelo Estado de Direito. E ninguém pode ser profissionalmente prejudicado por emitir tais opiniões. Todavia, e não querendo com isto desculpar as atitudes censórias do governo PS, é preciso referir que esta prática não é uma prática invulgar e que todos os governos, de esquerda ou de direita, a executam, de forma mais ou menos discreta. Diz-se, igualmente, que o governo tem máquina publicitária para medidas que toma, esquecendo, por exemplo, a Central de Comunicação que Morais Sarmento, antigo Ministro da Presidência do PSD, tentou criar…

Mas quem nunca tentou evitar ver a sua imagem de cidadão manchada, por factos verdadeiros ou não?...
Quando a divulgação desses factos, ofender valores como a honra do visado o art 424 do Código Civil é um bom instrumento de defesa.

Contudo, penso que a classe política também deveria assumir os erros que comete, sem ser necessárias pressões mediáticas e por parte dos populares. A posição a tomar não deve ser a de ceder a pressões só porque pode ser eleitoralmente mau não ceder - pois muitas vezes os sacrifícios exigidos aos cidadãos hoje são para lhes poder proporcionar melhores condições de vida no futuro - mas quando o governo ponderasse novamente a questão e considerasse estar a cometer uma “injustiça”.
Penso, no entanto, que isso não irá ocorrer brevemente pois antes de uma mudança de atitude é necessária uma mudança de personalidade dos políticos…
publicado por NES-FDL às 15:16
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10 comentários:
De PedroSilveira a 5 de Julho de 2007 às 19:18
Como se constituisse uma obrigação ou um imperativo moral debatermos tudo o que o Governo faz ou deixa de fazer, de bem e de mal...

Enfim...
De João Lopes a 5 de Julho de 2007 às 17:33
Será que teria havido alguma discussão caso o camarada André Lourenço não tivesse comentado este post?

Tenho sérias dúvidas.
De RICARDO PITA a 5 de Julho de 2007 às 15:50
gostei da forma embora heterogena como todos abordaram o tema. afinal na discussão de pontos de vista reside a essência da democracia. mais uma vez ficou demonstrada a pluralidade existente no NES.
De Fábio Raposo a 5 de Julho de 2007 às 00:46
Penso que talvez não tenha conseguido expressar correctamente o que pretendia destacar...

André: Com as palavras que citaste, nunca quis dizer que aceito e concordo com a censura, a manipulação, a dissimulação ou o chantagismo, sejam eles quais forem.
Da minha parte, volto a afirmar que temos que ser realistas e objectivos o suficiente para perceber e dizer que a censura (no seu sentido mais lato) não existe apenas no Governo. Isso parece conversa do típico português: Se o vizinho é despedido por ser um péssimo funcionário a culpa é do Governo e da sua cabala contra os seus cidadãos.

A censura exibe-se em todas as vertentes da sociedade. Alguém que seja pela liberdade de expressão, pela democracia e contra as mordaças e os silêncios forçados, tal como eu sou, tem que encontrar a censura muito além do Governo. Seria demasiado redutor.
Só assim é possível procurar uma resposta, seja ela qual for.

Espero ter rectificado.
Abraço
De André Lourenço a 4 de Julho de 2007 às 15:29
"A censura existe pela mão do Governo (este ou outro, em Portugal ou no estrangeiro, e aqui concordo com o Ricardo), da Comunicação Social, das Empresas, da Igreja e de qualquer lobbie em geral."

Fico desiludido com a juventude que diz e aceita de bom grado este tipo de frases. Como se este tipo de coisas não tivessem solução e como tal temos que aceitar isso mesmo.

Um socialista de verdade (como eu, julgo) não aceita, não aceitará e não se conformará com este estado de coisas.

Lamento que o Governo do meu partido esteja a ser igual a muitos outros e pelos vistos até pior (basta ouvirmos o Ministro da Saúde, que está a destruir o SNS).

Não foi para isto que o 25 de Abril foi feito.
De Fábio Raposo a 4 de Julho de 2007 às 02:40
Quanto ao post em si, sou da opinião de que a censura nunca deixou de existir totalmente.

Concordo apenas com algumas partes do post original, discordando da sua maioria. Por uma questão muito simples: A censura existe pela mão do Governo (este ou outro, em Portugal ou no estrangeiro, e aqui concordo com o Ricardo), da Comunicação Social, das Empresas, da Igreja e de qualquer lobbie em geral.

Alguma é mais dissimulada, outra é mais visível e outra é apenas vista na parte que se quer mostrar.

E agora pergunto:
Qual deles o mais forte?
De Fábio Raposo a 4 de Julho de 2007 às 02:33
Caro André Lourenço,
Agradeço desde já a tua visita e o teu comentário sempre bem-vindo. Cabe apenas responder a algumas linhas...

"critico o silêncio incomodativo do resto dos redactores deste blog acerca deste assunto...

Em primeiro lugar cumpre mencionar que há vários assuntos políticos, partidários, sociais, académicos, etc., que podem e devem ser referidos num blog. Abordar todos de uma vez seria trocar um espaço de troca de opiniões por um texto ilógico e desinteressante. Ou dez textos ilógicos e desinteressantes.
Seguidamente, cabe referir que uma resposta ao texto do camarada Ricardo Pita não se torna imperativa (como em nenhum caso de publicação de artigo de opinião no blog), mas antes desejada, apenas pelo objectivo de dinamizar o blog e alargar as ideias dos seus membros e visitantes.

"Nem que para isso esqueçamos que a democracia e a liberdade de expressão já conheceram melhores dias..."

O post aqui em causa é uma excelente prova de que, entre nós, a liberdade de expressão é apreciada e valorizada.
Aliás, sendo tu um visitante assíduo do blog, estou certo de que já terias reparado nisso mesmo há mais tempo.

Cumprimentos!
De PedroSilveira a 4 de Julho de 2007 às 00:06
O André Lourenço, que é sempre bem vindo a este blog, deveria esperar por reacções (alguns dias seria adequado, até pela época académica que atravessamos) antes de ficar triste.

Eu pessoalmente concordo genericamente com o post do Ricardo, não na totalidade. Mas a isso aludirei, naturalmente, na minha crónica semanal.

Quanto ao seguidismo... se eu fosse seguidista talvez este blog nunca tivesse existido! Quem me conhece sabe que pauto a minha intervenção politica por um constante inconformismo e sentido crítico oportuno e expresso em local adequado.

E o Ricardo não tem coragem, tem apenas a frontalidade de dizer o que pensa com responsabilidade politica. É nessa dialéctica que está a chave do sucesso.

Um abraço
De Лев Давидович a 3 de Julho de 2007 às 21:59
Não vou falar em nome de todos, falarei em meu.
Não esperaria o André que todo e qualquer participante neste blogue viesse falar do mesmo, ou esperaria?
É bom que se saiba que alguns partilham da opinião exposta, como é bom saber que não faz parte da lógica organizativa haver escritos e escritos sobre o mesmo.
Não somos mais do mesmo.
A prova é este texto.
De André Lourenço a 3 de Julho de 2007 às 11:07
Louvo a coragem do autor deste post, ao mesmo tmepo que critico o silêncio incomodativo do resto dos redactores deste blog acerca deste assunto...

É melhor andar a vangloriar António Costa, vencedor antecipado das próximas leições. Nem que para isso esqueçamos que a democracia e a liberdade de expressão já conheceram melhores dias...

Sendo assíduo visitante deste blog, fico triste com esse facto. O seguidismo só nos torna mais pequenos.

Não queiram ser mais do mesmo.

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