Sábado, 17 de Novembro de 2007

Diz que é uma espécie de opinião...

-Toda a gente sabe, e não é preciso andar a ter Direito Administrativo para aprender isto, que o fim do Estado, aquilo para que existe, é tão só e simplesmente o bem estar social. E como atingimos esse bem estar Social? Não basta o bem estar económico, nem bastam muitas outras comodidades da sociedade actual. Para atingir um bem estar social no mínimo aceitável é preciso segurança. De que vale eu ter duas casas, um Ferrari e milhões de euros se não estou seguro e se no momento a seguir posso perder tudo às mãos de qualquer individuo que não respeita um dos mais importantes direitos, ou liberdade, que é a propriedade?

O roubo de viaturas através de ameaça ou agressão ao condutor, conhecido como "carjacking" tem vindo a registar maior número de ocorrências na Zona Norte do país. A revelação foi feita ontem, durante uma reunião que juntou representantes das polícias dos 27 estados-membros para discutir a prevenção e combate ao roubo e furto de veículos na União Europeia. Só no ano passado foram furtados 1,2 milhões de veículos no espaço comunitário e todos os anos o fenómeno causa prejuízos na ordem dos 15 mil milhões de euros. A cooperação foi a palavra de ordem no encontro que termina hoje.

Isto é preocupante. Estamos hoje a ser invadidos por uma onda de violência que Portugal não conhecia há muito tempo. Seja carjaking, assaltos a ourivesarias, bancos e muitos outros crimes que são uma verdadeira ameaça ao estado democrático e tem-se assistido a um grande acréscimo dos mesmos.

Sempre fui um grande defensor de todos os polícias. Em Portugal, digo-o com conhecimento de causa, estes não têm condições de trabalho. Ganham pouco, têm equipamentos que não os servem da melhor maneira, que põe mesmo a sua vida em perigo face a um crime cada vez mais organizado e bem armado, e acima de tudo, têm uma falta tremenda de apoio. Quem não se sentia desmoralizado quando não tem condições para realizar o seu trabalho da melhor forma e, quando cumprem o seu serviço, vêm muitas vezes pouco tempo depois esses mesmos criminosos na rua por causa de uma justiça mole e muitas vezes sem um verdadeiro sentido de...justiça. A justiça portuguesa é ela, muitas vezes, motivadora para uma vida de crime.

É, na minha opinião, essencial que se dêem condições a uma polícia que se quer bem preparada e com meios para cumprir o seu dever de proteger efectivamente a sociedade e se transforme a Justiça mais penalizadora para aqueles que transgridem com a ordem social. Do modo como isto anda, corremos o risco de nos transformar numa favela neste cantinho da Europa.

- Quero ainda publicamente dar os parabéns à Associação Académica da Faculdade de Direito de Lisboa, pela vitória alcançada durante esta semana que passou, conquistando alguns dos pontos de mais interesse para os alunos e pondo de parte disputas de parques de estacionamento. Uma vitória importante para todos, contra uma crise, em que AAFDL não está isenta de culpas, mas que resulta numa batalha ganha, não na vitória da guerra. Ainda há muito por fazer. Boa sorte nesse trabalho.

http://www.questao-de-principio.blogspot.com/
publicado por Luís Pereira às 00:31
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5 comentários:
De Luís Brandão Pereira a 19 de Novembro de 2007 às 22:12
Cara Inês,

asseguro-te que longe de mim apoiar ou defender ideias de extrema direita que nd têm a ver com a minha personalidade e mesmo vivencia. Com este post apenas quis realçar no meu entender aquilo que neste pais é uma pecado que é os poucos meios que a policia tem e que depois se reflecte tb na criminalidade.Um facto.Ninguem pode negar,e eu sei do que falo pois acredita que lido com muitos policias e sei de muitas historias pelas quais eles passam.E acredita que a realidade policial não é a de Lisboa,pq essa realidade pode ser enganadora apesar de tb ela nao ser perfeita: é um problema nacional.

Agora repara no meu comment que não desprezei as medidas sociais.Repara:

«sendo essas medidas para combater o desemprego e fomentar políticas de igualdade e inserção sociai ESSENCIAIS, concordo contigo»

Ou seja, para além destas medidas, é na minha opinião essencial também que se dê mais e melhores meios à policia.2 politicas que na minha opiniao sao conciliaveis.Nada a ver com extremas direitas nem nada disso.Não se trata da exclusão de ninguem,trata-se isso sim da defesa de todos.

Se te induzi em erro peço desculpa,se calhar exprimi-me mal.
De PedroSilveira a 19 de Novembro de 2007 às 20:33
Concordo em absoluto com a Inês e com o Fábio: não desprezando a segurança enquanto valor essencial de uma sociedade moderna e justa, o que nos deve preocupar é atacar o problema pela base e não pelas consequências mediatas. Essa é uma das grandes diferenças, talvez a maior e mais essencial, entre esquerda e direita nesta matéria.
De Ines Melo Sampaio a 19 de Novembro de 2007 às 19:57
Não enfatizar a necessidade de políticas sociais e pôr o acento tónico nas medidas de polícia é o mote dos partidos de extrema-direita. Penso que, como jovens de esquerda, temos de apostar naquilo que nos distingue e não no discurso do caos social e da ineptidão da justiça.
De Luís Brandão Pereira a 19 de Novembro de 2007 às 19:30
Caríssio Fábio Raposo,

repara, no entanto, que sendo essas medidas para combater o desemprego e fomentar políticas de igualdade e inserção sociai essenciais, concordo contigo, são medidas de plano de médio/longo prazo,já que não é de hoje para amnhã que se mudam mentalidades e pq será dificil a este governo criar muitos mais empregos no futuro mais próximo,até pela crise economica que se alastrou mundialmente.

Nesse sentido, devemos prevenir e não remediar. Num plano mais de futuro próximo entra então um maior apoio às forças policiais, uma maior eficiência da justiça portuguesa, como medidas de prevenção do crime.Isto na impossibilidade de fazer melhor ou mais rapidamente no plano social as melhorias que a vida social necessita.

Um abraço
De Fábio Raposo a 19 de Novembro de 2007 às 03:33
O incremento da violência, incluindo os assaltos (e consequentemente o carjacking) só derivam da desigualdade social que em alguns países se acentua.
Não acredito que a questão passe tanto pela polícia, mas antes que passe por combater o desemprego e fomentar políticas de igualdade e de inserção social.

Parabéns pelo artigo, Luis!

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