Sábado, 15 de Dezembro de 2007

Dura Lex Sed Lex



Depois de tanto se defender a independência da Juventude Socialista em relação ao Partido Socialista, não é que a JS demonstra hoje essa atitude? Antecipa-se ao Partido e toma uma posição em relação ao Tratado da União Europeia, dizendo que:

(...)Aberto este novo capítulo na vida da União, a Juventude Socialista entende estarmos perante uma oportunidade irrecusável para debater de forma participada a Europa e o seu futuro. O recurso ao referendo como forma de conclusão do processo interno de ratificação permitirá aproximar os Portugueses do processo de integração europeia, estimulando o debate na sociedade civil e oferecendo um fórum alargado para demonstrar o papel central das instituições e políticas europeias e o dinamismo do processo de integração junto dos cidadãos portugueses.

Até se poderia perguntar se o nosso caro Pedro Nuno Santos andou a ler aqui o blog?

De qualquer das formas, uma atitude bastante compreensível da JS. Sendo que na minha opinião com ou sem referendo este seria um legítimo tratado, as duas posições são aceitáveis, mas, com referendo, existiria, sem qualquer sombra para dúvida, um sentimento de maior participação e aceitação da parte do povo português, exigiria um alargado debate e críticas construtivas ao que este tratado significará na vida de todos, dando-o muito mais ao conhecimento geral, podendo por isto significar uma certa importância o tal referendo à sociedade portuguesa. Agora é esperar para ver. Será que o Partido seguirá as mesmas pisadas, ou melhor, será que o Governo concorda? Ao que parece está para breve o anuncio da tomada de posição do Governo.

Referência final para o importante acordo conseguido em Bali para combater o aquecimento global, uma das maiores ameaças da actualidade à humanidade. É importante agir, e agir rapidamente, com medidas efectivas, não com medidas de papel sem qualquer significado ao nível real. Projecções como as de que em por volta de 2020's zonas do Mundo ficarão sem água devido às alterações climáticas assustam e devem assustar cada vez mais se nada for feito para evitar isso. A atribuição do prémio Nobel da Paz de este ano a um reconhecido senhor desta luta não foi certamente inocente, naquela que deve ser uma luta de consciencialização de todo mundo para este problema que não é deste ou daquele país mas global.

publicado por Luís Pereira às 21:44
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3 comentários:
De Fábio Raposo a 20 de Dezembro de 2007 às 00:59
É por opções como esta que sou militante orgulhoso da Juventude Socialista.

Esta juventude partidária não serve como instrumento para o que quer que seja, nem anda a cargo de ninguém.

Mais uma vez, a JS mostrou ter autonomia face ao PS, ainda que lhe esteja ligada, e não ter medo de o assumir.

Temos posições nossas, defendemos ideias nossas, sejam ou não as do partido. Têm é que ser boas. Muito bem!
De Luís Brandão Pereira a 18 de Dezembro de 2007 às 22:39
Sobre o mesmo assunto:

http://www.juventudesocialista.org/item.tech?id=763
De PedroSilveira a 15 de Dezembro de 2007 às 23:23
Apesar de pessoalmente ser contra, acho que em termos políticos e de estratégia do Secretariado Nacional a JS fez a melhor opção, tirando uma ou duas nuances.

Declarar que a Juventude Socialista é a favor do referendo sobre a UE tem dois sentidos evidentes: ao fazê-lo antes do PS a JS marca o seu espaço, ganha a sua autonomia material e afirma-se nacionalmente como a voz crítica do partido. Por outro lado, caso se realize efectivamente o referendo, a JS adquire uma luta que dificilmente irá perder: o PS ao decidir realizar o referendo fará tudo para o ganhar, sob pena de colocar em causa o próprio executivo.

Onde estão então as nuances?

Está a JS preparada para discutir a União Europeia? Existem posições oficiais sobre a Europa que a estrutura, na sua maioria, quer? E estão os militantes da JS mobilizados para a causa europeia?
Esta é uma questão importante porque, ao contrário da IVG ou mesmo dos casamentos entre homossexuais, não existem posições sólidas e fortemente enraizadas na estrutura para fundamentar esta investida na defesa do modelo europeu que a JS ( ≠ de os dirigentes máximos da JS) defende.

Outra questão é a da invocação do papel informador e de discussão que o referendo traz consigo para a sociedade portuguesa. Concordo, apesar de infelizmente ser assim, concordo. Mas qual a legitimidade da JS para apelar a essa realidade? Essa é uma atitude típica de resignação! Porque não promover debates, conferências, palestras, tertúlias, etc etc etc sobre a Europa a um nível nacional? Porque não fazer e distribuir material de informação a todos os militantes? Porque não sensibilizar com campanhas a sociedade portuguesa, e em especial os jovens, para aquilo que está em causa? Porque não tomar sobre isso posição? E divulgá-la? Isto é não nos resignarmos. O contrário, apelando a um referendo para se discutir alguma coisa, é uma posição de algo frágil e resignado a uma realidade infeliz.


De qualquer modo, como referi, acho que a opção tomada foi a mais correcta. O Secretariado nacional tem, nesse ponto, o meu forte apoio. Em relação ao resto, aos pontos complementares que referi supra, acho que merecem uma reflexão. Isto sob pena de chegarmos a um ponto em que temos de perguntar: mas a JS só existe para referendos, autárquicas e legislativas?




Um abraço ao Luis P. e a todos,

do adoentado,

PSilveira

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