Terça-feira, 3 de Junho de 2008

«A montanha pariu um rato?»

Numa nota inicial, quero esclarecer uma posição. Ao contrário do que o Tiago Mendes diz, eu não acho que a actual crise do petróleo se justifique unicamente por questões de equilíbrio geoestratégico nos países produtores de petróleo, mas antes, considero que é um dos factores, como a especulação, sendo o mais importante, na minha opinião, a falta de competitividade das empresas portuguesas.

 

O problema não será a ineficácia demonstrada pelo Estado na regulação do mercado, mas sim um problema estrutural das empresas, até porque, como se viu, foi pedida a intervenção da autoridade da concorrência, que decidiu que não haveria motivos para suspeitar de cartel. O problema, na realidade, é um certo pensamento, que até se poderia dizer típico, procurar o caminho mais fácil que necessariamente, por vezes, não leva aos melhores resultados no futuro.

 

Um tema que poderia dar para muito desenvolvimento, quem sabe para uma tese, pode resumir-se em 2 exemplos: nesta grande polémica do acordo ortográfico, as editoras queixam-se que será muito prejudicial, que as empresas brasileiras vão começar a mandar no mercado e as empresas portuguesas vão ver o nível de negócios muito reduzido, sendo por isso de rejeitar este acordo - ao invés de ser um acordo prejudicial, porque não ver por um lado positivo, de abertura de muitas possibilidades (?), basta pensar que com este acordo as editoras podem exportar para um mercado que representa 200 milhões de pessoas como o brasileiro; na altura do primeiro ministro Cavaco Silva, Portugal recebia milhões e milhões de contos em ajudas comunitárias para a agricultura, que teve como resultado a compra de muitos jipes Todo-o-Terreno e pouca aposta real em agricultura, propriamente dita - ao invés da concorrência, acabamos por investir no conforto.

 

O que tem de comum estes dois exemplos? Ambos procuram o caminho mais fácil, da não concorrência ou competição, aquele que se calhar tem melhores resultados imediatos mas que numa perspectiva de futuro pouco ou nada trazem de melhor. É como o caso de que se fala, as empresas têm um caminho mais fácil, que é não competir, continuam a lucrar, mas quem sai prejudicado é o consumidor e resultados futuros são hipotecados. Então neste caso das empresas petroliferas ainda mais claro é, vivendo nós num mercado concorrencial, esquecem-se que, apesar de um dos objectivos primordiais ser o lucro, o objectivo final acaba mesmo por ser a ideia de beneficiar o consumidor através da concorrência. Se a Galp, a BP, ou a Repsol, tivessem, para além da preocupação de fazer 25 milhões de contos  de lucro, a preocupação de competir, baixando por exemplo os preços e atraíndo novos clientes para a empresa, se calhar não haveria este clima de hostilização em relação a estas empresas e não haveria movimentos de boicote que podem diminuir o nível de negócios, para além de que esta crise só aumenta ainda mais o interesse de procurar novas formas de energia. Assim, apesar de resultados imediatos, no futuro esta atitude é prejudicial.

 

Apesar de ser uma visão um pouco romântica, acho que só assim se poderia resolver em parte este problema no imediato, enquanto se procura por outras soluções. A decisão da autoridade da concorrência pode ter significado o tal rato em relação à montanha, mas deve ser respeitada, e muito bem teve o governo em anunciar medidas para esclarecer o consumidor e que lhes permita fazer uma opinião sustentada acerca da actual situação do mercado.

 

Numa nota final, agradecer a contribuição do Tiago Mendes, espero que continues e que sejas um exemplo para outros seguirem.

publicado por Luís Pereira às 19:01
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